Equipe diversa colaborando em reunião com laptops e gráficos de progresso em tela

Logo após o fechamento de um contrato, existe um momento quase mágico: o cliente está cheio de expectativas, pronto para se dedicar a uma nova ferramenta ou serviço. É a melhor chance de mostrar resultados rápidos e criar confiança.

Se esse impulso inicial se perde, dificilmente será possível recuperá-lo com a mesma força. Por isso, criar uma experiência de integração agradável, organizada e eficiente não é só uma boa prática. É uma necessidade para manter o interesse, garantir engajamento e, principalmente, aumentar as chances de retenção.

“Entregar valor rápido faz toda a diferença.”

Os dados reforçam essa percepção. Uma pesquisa da PWC mostrou que 49% dos consumidores na América Latina abandonam marcas após uma experiência ruim. Além disso, quase 80% dão prioridade para agilidade, conveniência e atendimento especializado e amigável. Isso quer dizer que o primeiro valor entregue, conhecido como “first value”, determina se essa relação evolui ou não.

Mas, será que dá para garantir isso só com boa vontade? Eu diria que não. É preciso método, preparação e alinhamento entre áreas.

Planeje antes de executar

Antes de começar a integração, envolva diversos setores: Comercial, Suporte, CX, CS, UX, Produto. Juntos, avaliem as necessidades e expectativas do cliente desde o primeiro contato. Só assim é possível desenhar trilhas realmente personalizadas.

Aqui, o uso inteligente de informações é fundamental. Uma plataforma Customer Data Platform (CDP) ajuda bastante a centralizar dados e organizar o acompanhamento. Mas não adianta só escolher a ferramenta, é preciso seguir um roteiro objetivo. Por isso, veja o passo a passo prático para entregar valor de forma consistente.

Os 7 passos para entregar valor com rapidez

  1. Defina o objetivo da integraçãoO que seu novo cliente precisa alcançar para obter o primeiro benefício concreto? Pode ser enviar o primeiro e-mail, publicar um relatório, cadastrar o primeiro cliente, ou outro objetivo específico. O segredo é reconhecer que não existe uma meta única. Empresas, segmentos e perfis buscam resultados diferentes. Então, personalize essa jornada desde o início.
“Claridade sobre o primeiro valor cria direção.”
  1. Considere criar segmentos ou personas e, para cada um, um objetivo principal da integração, que será sua referência.
  2. Organize as fases do processoEsboce um roteiro com etapas bem conectadas. O caminho até o valor não pode ser uma trilha confusa. Crie uma linha lógica para facilitar a aprendizagem e motivar o avanço. Pense em fases sequenciais, mas permita certa flexibilidade para perfis diferentes.
  • Exemplo de fases: configuração inicial → primeiro uso guiado → análise dos resultados iniciais.
  1. Assim, cada etapa superada aproxima o cliente do sucesso.
  2. Estabeleça metas alcançáveis (método SMART)Para o cliente não se perder (ou perder o interesse), transforme cada fase em uma meta clara, mensurável e realista. Use o critério SMART:
  • Específica: Qual ação espera-se?
  • Mensurável: Como saber que foi feita?
  • Alcançável: É viável para cada perfil?
  • Relevante: Faz sentido para o cliente?
  • Temporal: Qual o prazo?
  1. Seja objetivo e transparente. Metas vagas geram confusão e desmotivam.
  2. Comunique-se bem e com frequênciaBons conteúdos guiando o cliente fazem toda diferença. Distribua informações por canais diversificados: e-mail, mensagens in-app, WhatsApp, SMS e até videoaulas. Crie playbooks e PDFs explicativos. A ideia é manter o cliente sempre informado e motivado.
“Comunicação breve, clara e amigável aproxima e retém.”
  1. Incentive o acesso à base de conhecimento e ao suporte. E cuide para que ninguém fique sem resposta: automatize alertas para casos de inatividade ou dúvidas não resolvidas.
  2. Informe sempre sobre o progressoMostre claramente o que já foi feito, o que falta e o que vem depois. O cliente precisa sentir que caminha na direção certa. Envie resumos periódicos, compartilhe status de integração e celebre marcos atingidos.
  • Exemplo: “Parabéns! Você completou a primeira etapa de configuração.”
  • “Faltam só dois passos para ativar todas as funcionalidades.”
  1. Cada avanço, por menor que pareça, precisa ser reconhecido.
  2. Teste e evolua o conteúdo da integraçãoO que funciona para um cliente pode não ser tão bom para outro. Por isso, sempre teste abordagens diferentes: títulos, canais, textos, CTAs. Aplique A/B tests e compare resultados. Ajuste com frequência.
“A adaptação constante melhora cada etapa.”
  1. Não hesite em atualizar materiais conforme aprende com as respostas dos clientes.
  2. Monitore dados e a saúde da jornadaUse pesquisas NPS e CSAT para medir satisfação e obter insights. Avalie também o Health Score do cliente, ajustando critérios conforme ele avança na integração e depois.
  • Use dashboards, gráficos e notificações automáticas para acompanhar possíveis riscos de churn.
  1. Dados concretos ajudam a prever problemas e encontrar oportunidades para surpreender positivamente.

Acompanhamento não termina após o início

Mesmo completando todos os passos, uma boa experiência de integração depende de acompanhamento contínuo. O mercado muda, as necessidades dos clientes mudam até mais rápido. Por isso, revise e atualize trilhas, objetivos e comunicações sempre que perceber mudanças no comportamento dos clientes ou nos indicadores de saúde.

A integração de novos clientes não é um checklist fechado, mas um processo vivo, que se transforma conforme as pessoas, as tecnologias e os modelos de negócio também se transformam.

Conclusão

Uma boa experiência de integração é aquela que entrega valor rápido, de forma clara, humana e personalizada. Alcançar esse “primeiro valor” logo no início reforça a relação de confiança e coloca a empresa em vantagem diante das estatísticas: menos risco de abandono, mais satisfação, mais potencial de recomendação e expansão.

“Cada etapa bem pensada faz toda a diferença na experiência e na retenção.”

Planeje, integre áreas, use dados, comunique-se e, principalmente, esteja sempre disposto a ouvir e a melhorar.

Perguntas frequentes

O que é onboarding de clientes?

É o processo de integração e orientação de um novo cliente após a contratação de um produto ou serviço. O objetivo é garantir que ele entenda como obter valor rapidamente e consiga usar as principais funcionalidades de maneira eficaz desde o início.

Como fazer um bom onboarding de clientes?

O segredo está em planejamento, personalização e comunicação constante. Defina objetivos claros, organize o processo em etapas lógicas, crie metas atingíveis, ofereça conteúdos relevantes em diferentes canais, acompanhe o progresso e busque feedback contínuo para aprimorar o processo. O envolvimento de outros times também faz diferença.

Quais são as etapas do onboarding de clientes?

As principais etapas incluem: entender o objetivo principal de cada cliente, organizar fases do processo, criar metas claras (usando o método SMART), estabelecer um fluxo de comunicação, informar o progresso, testar diferentes abordagens de conteúdo e monitorar dados e sentimentos ao longo da jornada.

Por que o onboarding de clientes é importante?

Porque é nessa etapa que o cliente decide se realmente fez uma boa escolha. Se a experiência for ruim, ele pode desistir do produto antes mesmo de usá-lo de verdade. Entregar valor rápido, de forma organizada, aumenta a satisfação, reduz o abandono e abre caminho para expansão e fidelização.

Quais erros evitar no onboarding de clientes?

Evite começar sem planejamento, criar processos complexos demais, deixar o cliente sem comunicação, não adaptar o acompanhamento para diferentes perfis, esquecer de medir resultados ou ignorar feedbacks recebidos. Qualquer um desses pontos pode prejudicar a experiência e dificultar a retenção.

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Mauricio Campos

Sobre o Autor

Mauricio Campos

Sou Mauricio Campos, mais conhecido como Chuck, cofundador e COO na MarQHR, responsável pelas áreas de Marketing, Vendas e CX. Estruturo jornadas de atendimento que combinam eficiência, empatia e resultados mensuráveis. Acredito que experiências memoráveis nascem de processos bem definidos e equipes engajadas.

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